Fiquei pra titia
Basta ouvir isso e lá vou eu correr atrás dos meus “sobrinhos” filhos de amigos, de primos, de desconhecidos até... Para brincar, para ficar paparicando, para conversar, para assistir desenho ou só para ver, de longe, eles aprontando. É bem verdade que essa gente miúda é de veneta. Tem hora que morre de amores, cai no riso e dá até beijinho. Tem hora que emburra a cara, cai no choro e não me dá nem idéia. E eles estão certíssimos. Fazer a social é coisa pra gente grande.
Se bem que esses meus sobrinhos são pequenos só no tamanho. Outro dia, Andrei, que grita um “ô tia” inconfundível, me revela do alto dos seus cinco anos uma de suas descobertas: “Você sabia que o zero é visivelmente uma bola?”. Já Maria Antônia, minha consultora de moda e beleza de sete anos, faz o seguinte comentário ao ver minha nova escova de dente anatômica: “Essa escova foi muito bem projetada!”. E quando pergunto a Juan, um mineirinho de quatro anos, como está a pizza que ele está comendo, eis a resposta: “Está saborosíssima!”. Peraí! É o quê? Vê se isso é vocabulário para sair com tanta naturalidade da boca pessoinhas que ainda estão muito longe de alcançar um metro e meio. Desconfio até que sejam anões. E superdotados!
E não bastasse esse vigor intelectual, ainda explodem em energia e o tamanho de seus fôlegos é inversamente proporcional a suas compleições físicas. Renan, Giovani, Jordana, João Pedro, Eduardo, Guilherme, Pietra, Carlos Eduardo, Pedro Henrique, Gabriela, Luiz Henrique, Vitória, Cauê, Laurinho, e as gêmeas Bia e Manu estão prontos para qualquer brincadeira, para a próxima bagunça e, principalmente, pra dar uma canseira numa tia velha, que não consegue mais contar a idade nos dedos nem se juntar os das mãos e dos pés.
Mas, tudo bem, para fazê-los felizes e vê-los soltar um riso gostoso a gente dança a música do Tchutchucão, deixa de ver um filmaço para assistir Coragem, o Cão Covarde (que é bem legal!) e coloca orelha de Minie para cantar parabéns. Troca qualquer papo sério com os pais para rolar no chão com eles, desenhar, brincar de Barbie ou de carrinho e jogar bola no quintal. Sai correndo para ver o trem, o avião e o caminhão passar. Segura o riso diante de uma peraltice, implora por um “upa!”, faz chantagens do tipo: “um beijo por uma bala” e pede, pelo amor de Deus, não chora não. Afinal de contas, agora que eu fiquei para titia o jeito é participar!
Por Jussara Soares










