Tema da semana: 'Sinais'

terça-feira, setembro 12, 2006

A pior está por vir!

Não foram poucas as explosões em minha vida. Lembro bem do dia em que uma panela de pressão voou pelos ares e transformou nossa cozinha em escombros. Também não posso esquecer daquelas que fizeram um depósito ser consumido em chamas na rua de casa. Mas nada disso era realmente assustador. Guerra nuclear? Aprendi desde muito cedo que não tinha nada a temer naquele contexto. Nos anos 80 até as crianças sabiam que a Guerra Fria e seu clima de aparente tensão eram mais uma questão de interesses econômicos que uma ameaça real.

Mais tarde, eram explosões de outro tipo que me preocupavam: as minhas. Sempre fui e sempre serei temperamental, e muito jovem iniciei uma briga para não explodir nas situações mais inconvenientes. Nem sempre tive sucesso, e não foi pouco o sofrimento até “domar” o temperamento.

Mas há uma explosão que realmente me assusta e me apavora. Ela ainda não aconteceu, mas eu passei cerca de um ano tendo sérios problemas para dormir, por medo de não mais poder acordar caso ela ocorra. Via pessoas desintegradas em questão de segundos num cenário em que o céu em chamas ornava com um oceano que parecia composto por combustível, sem que eu nada pudesse fazer. Não demorava muito mais e tudo acabava, e então eu imaginava o silêncio mortífero, apenas um vazio.

Este pesadelo me atormentou durante uns bons anos da infância. O culpado? Carl Sagan. Sim, o homem que me deixou encantado com a física foi o mesmo que me apavorou a ponto de temer pelo mundo a cada segundo da minha existência. Como? Ele um dia mostrou, em seu programa Cosmos, que estrelas morrem! E que todo este absurdo processo acontecerá com o sol um dia. “Será daqui a 5 bilhões de anos”, ele dizia. Ah é? Assim como os físicos, os economistas também são excelentes matemáticos. Logo, se eles erram (e como erram), quem me garante que os físicos não? Confesso que ainda tenho pesadelos.

Por Marcos Donizetti