Tema da semana: 'Sinais'

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Incompreensível

Tem um tempinho que a gente se conhece, né? Uns dois anos talvez - um pouco mais ou um pouco menos - não sei. E ainda não consigo compreender o que se passa entre a gente. Não compreendo? Não, isso é mentira. Sei exatamente o que é que acontece e talvez até por isso mesmo é que fico tão perplexa.

Simplesmente derramo meus sentimentos; você os vê, os explora. Mas não faz o mesmo por mim... não... não há reciprocidade... não há retribuição...

Então o que, na verdade, não entendo é o porquê de permitir que você me use assim. Não sei o que é isso! A gente não tem compromisso um com o outro, a gente não tem nenhum vínculo. Há tempos pensei que existia, pelo menos, amizade, mas agora sei que isso sempre foi falso. Então, por que simplesmente não dou um basta nisso? Não sei...

Há momentos que parece uma doença, uma idéia fixa. Tem horas que tenho a impressão de que é uma questão de honra conquistar seu respeito, sua admiração. Em outras, tenho a certeza de que só um pouquinho de atenção já me seria suficiente.

Entretanto, no decorrer dos dias, fica provado que nada disso é necessário. Não preciso que você me respeite. Não preciso que você me admire. Você nem mesmo precisa me dispensar sua atenção. Um certo dia, sabe-se lá por que, você notou minha existência e isso só já me bastou.

De onde vem tamanha falta de amor-próprio? São mistérios do meu coração.

Por Cláudia Lyra , convidada especial da hectógrafa Jussara Soares, escreve regularmente no É a mãe!