Tema da semana: 'Sinais'

sexta-feira, julho 21, 2006

Tirando leite de pedra

Toda semana um texto diferente sobre um assunto diferente. Sete amigos se dividindo nos sete dias da semana. Temas polêmicos, temas banais, tristezas e alegrias. Um desafio extraordinário manter a coerência com a responsabilidade de expor nossos sentimentos semanalmente. Assim é o Mimeographo. Quanto mais pensamos na falta de idéias e inspiração para uma nova etapa, mais aumenta a adrenalina para a próxima semana.

Convidei alguns amigos para, de vez em quando, publicarem no nosso cantinho e muitos, quando descobriram o que era a “parada”, pularam fora por falta de uma possível estagnação de idéias ou a falta da famosa inspiração. Assim como a libido. Sim, libido. Sem a libido, nem sairíamos da cama. Precisamos estar dispostos para as batalhas diárias em nossas vidas. Precisamos de um alto teor de libido.

Vendo aquele pequeno ser de olhos negros parecidos com enormes jabuticabas me fez enxergar a vida de forma mais responsável. 53 cm, 3,600kg e com muito cabelo. No dia 4 de janeiro de 1997, nascia Arthur, meu filho. A emoção daquele primeiro contato no hospital, mesmo que tenha sido através do vidro, ficará para sempre marcado em minha memória. Enrolado em uma manta amarela nos braços da enfermeira, Arthur deu uma olhada na minha direção como se estivesse me reconhecendo e agradecendo pela sua vida. Era uma manhã de verão e meu coração explodia de ternura e preocupação. Que momento. Que delícia. De onde foi que conseguimos tirar tanta beleza para gerar tão graciosa criatura?

Arthur carrega a mesma espontaneidade mostrada em seu olhar através do vidro naquela manhã. Alegre, brincalhão, preguiçoso e ainda muito cabeludo, o moleque me fascina pela sua inteligência e esperteza. Cria jogos mentais, fala com seus amigos imaginários e ainda arruma tempo para um abraço, um beijo e a sua famosa massagem nos pés quando chego cansado da labuta.

Acordo e saio para o trabalho pensando no sustento de meu filho e de minha família. Aceito alguns trabalhos não condizentes com minha capacidade. Aceito cachês ridículos, faço trabalhos pequenos e trabalhos bons, de boa projeção. Levo não e sim diariamente. Faço várias escolhas no dia-a-dia. Vale a pena? Claro. Não é assim só para mim. Todos sofrem a pressão de aceitar responsabilidades. Não nego nenhuma das minhas.

Será que é mais difícil que escrever no Mimeographo?


Por Wallace Feitosa