Tema da semana: 'Sinais'

sexta-feira, julho 14, 2006

Fim de papo

Todos falam e temem o fim. Pensam sempre no lado triste da palavra. Uma coisa que era boa e se acabou. Fim da vida, do filme, do fim de semana, da copa do mundo, do namoro, da novela, da carreira e o fim da linha. Todos ruins. Ninguém imagina um final melancólico. Mas e os bons fins? Fim da vida, do filme, fim de semana, da copa do mundo, do namoro, da novela, da carreira e o fim da linha? Parece loucura? Como os fins podem ser ao mesmo tempo bons e ruins? Cada pessoa busca suas alegrias em meio às tristezas. O fim de uma novela pode ser ruim, mas abre espaço para a nova novela. Personagens inesquecíveis para uns são insuportáveis para outros. Vida de esquisitices.

O fim da vida parece ser o pior dos fins. Morrer não é bom, pelo menos deixa muita dor e sofrimento. Mas será que a partida do viajante é ruim para ele também? Pessoas em estados degenerativos mostram enorme luta para se manterem vivos, pensando num fim mais digno, menos sofrido, tendo no término uma oportunidade de parar o martírio da dor total. Que fica, sofre. Quem vai, nem tanto. O fim do filme de nossas vidas. Filmes românticos têm finais felizes. Vidas bem vividas dentro do seio da família, honestas e altruístas sempre têm um final feliz. O filme nunca será esquecido pelos que ficam. Novos filmes com elencos diferentes, com seqüências parecidas virão.

Novela faz bem? Novela tem fim? O que é uma novela? Nossas vidas vão sendo complementadas por capítulos diários de incessantes emoções. Podemos junta-los e fazer um belo filme ou uma bela novela. Preferimos fazer um belo filme, mas uma boa novela não faz mal a ninguém. Se for novela tipo da Globo então... Fim de novela na televisão é ótimo. Menos fragmentos manipuladores nas mentes dos brasileiros.

E o fim do namoro? É muito ruim, né? Para quem teve a desagradável surpresa do fim inesperado, pode ser traumático. O sentimento de recusa, de negação de todo o esforço empreendido no relacionamento ter ruído em apenas alguns minutos desde o anúncio da notícia. Para quem dá o pontapé a situação é de liberdade, de ter tirado o peso de um relacionamento confuso das costas. Raramente essa pessoa volta atrás. Acabou, acabou. Fim é fim e ponto final.

Melhor fim mesmo seria o das dívidas. Trabalhamos para sustentá-las. Necessitamos das dívidas. Sem elas não vivemos. Elas são tão importantes em nossas vidas. Logo que chegamos ao fim de uma delas, rapidamente damos início a outra. Impressionante como elas nos perseguem implacavelmente como uma virose. Prometemos e rezamos pelo seu fim. Quando morre, ressuscita imediatamente em outro carnê. Fantasminha Pluft. Só de pensar no fim das minhas dívidas sinto um frio arrepio n’alma.


Por Wallace Feitosa