Tema da semana: 'Sinais'

quarta-feira, outubro 05, 2005

Sempre em busca...

O homem faz a religião, a religião não faz o homem(...) . A religião é o suspiro da criatura atormentada (...). Ela é o ópio do povo. (Karl Marx, em "Manifesto Comunista")

Todo mundo procura uma cura para os seus males sejam visíveis ou não, carnais ou não. Talvez por isso todos os dias surjam cada vez mais igrejas, templos e outros tantos lugares dedicados ao encontro com Deus. E é justamente isso que significa a palavra religião, que deriva do termo latino Re-Ligare, religação com o Divino. Essa definição, ao contrário do que muitos tentam pregar, engloba qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo metafísico, ou seja, um conteúdo além do mundo físico.

E as religiões são tão antigas que ninguém consegue dizer se já houve uma época sequer que não tenha havido um movimento religioso. Ela - a religião - está presente ao longo dos tempos e sempre com seu papel definido seja nas guerras, estruturações sociais, políticas e/ou artísticas. Na minha opinião a religião, seja ela qual for, é inerente à cultura humana e tem grandes poderes de transformação, tanto que apesar de todo o avanço científico essa busca pelo Divino sobrevive.

Porém, mesmo com tanta oferta ainda não encontrei a minha. Que seria aquela que me ensinasse só a amar o ser humano, com as suas imperfeições. Que me lembrasse a todo momento de não fazer com os outros o que eu não gostaria de que fizessem comigo. Que me trouxesse a tão sonhada paz interior sem imposições. Sem me dizer: "Olha se você fizer isso não irá para o céu" ou "você está sendo vítima de olho gordo, tem que fazer um trabalho para espantar esse mal".

Acho que não encontrei ainda porque a religião foi tão mal utilizada quanto a política. Mesmo sendo tão antiga, nunca aproveitou-se da religião como hoje. Os fiéis acham que estão no caminho certo, cheios de esperanças, enquanto os seus dirigentes estão enchendo os bolsos. A coisa anda tão feia nessa briga pelo arrebatamento de fiéis, que tem igreja evangélica oferecendo sessão de descarrego - que eu jurava ser uma prática só dos espíritas - e igreja católica oferecendo missa energética através das mãos, que os kardecistas chamam de passe.

E como o capitalismo anda mais selvagem do que nunca e a globalização exige que todos se enquadrem, até os muçulmanos que estão no topo das religiões mais antiquadas já entraram na dança. Na tentativa de convencerem suas filhas a usarem o véu, estão dando a elas de presente uma boneca chamada Fulla, uma espécie de Bárbie do Oriente. Que se veste como uma verdadeira muçulmana. É a globalização, que só reforça a minha tese de que as bíblias, evangelhos e alcorões podem até serem escritos em línguas diferentes e pregarem coisas boas, mas se o que estiver no seu comando forem os homens, a essência continuará a mesma. E aí, danou-se.

Por Juliana Lima . Jornalista e amiga fiel da hectógrafa Jussara Soares