Tema da semana: 'Sinais'

segunda-feira, setembro 05, 2005

Nunca te vi, sempre te li

Prezado Supervisor Gabriel
Escrevo esta carta para pedir-lhe dispensa da função de observador de Marcos Donizetti, que exerço faz tão pouco tempo.
Julgo ter perdido a principal exigência para o trabalho — a imparcialidade.
Inclusive, reproduzo, para seu conhecimento, o texto que escrevi hoje, para publicar num blog do qual participamos.
Peço-lhe, no entanto, discrição total, pois ele não faz idéia de que, mais do que um observador, sou um fã incondicional do seu talento.
Sem mais no momento, fico no aguardo da resposta.

Helton Fraga


Muito mais do que rock‘n’roll

Não faço idéia de quem seja, mas a gaúcha Thaís está de parabéns. Foi ela quem convenceu Marcos Donizetti a criar um blog. Os detalhes do seu poder de persuasão eu desconheço, mas sei que foi ela quem incentivou o paulistano a verbalizar as suas impressões e sentimentos. Algum dia gostaria de lhe agradecer pessoalmente por isso, Thaís. Porque ler Marcos Donizetti é um privilégio. Textos irretocáveis, com idéias claras, ironia nas entrelinhas e sensibilidade à flor da pele de cada palavra, de cada frase, de cada período. Um primor.

Jornalista profissional há 15 anos, eu me tornei um especialista em economizar adjetivos, tão pecaminosos nos relatos informativos dos jornais. Mas hoje resolvi abrir o meu cofre de “palavras que caracterizam os seres” e gastá-las com Donizetti. Porque vale a pena.

Na realidade, eu desconheço quem seja o meu vizinho de mundo virtual, pois nunca estivemos juntos. Todas as segundas, me esforço para publicar um texto agradável na abertura da semana no Mimeographo, pois no dia seguinte é o espaço de Donizetti. Ou seja, é dia de beleza nas palavras, carregadas de sentimento e sentido. Ou alguém já se esqueceu do que ele quis dizer com Mas um dia, após a garoa fria do inverno, vieram os dias ensolarados trazidos nos olhos, no sorriso, na pele, no abraço, nos cabelos e na voz de uma menina que me fez ver flores, que me fez entender que tudo o que posso é “viver o presente, para lembrar tudo depois...”. Impossível não gostar.

Algumas características que identifico facilitam e explicam a minha admiração pelo amigo da Jussara — a quem devo a gratidão eterna por ter me apresentado a ele, mesmo que via e-mail. Donizetti é louco por futebol. Eu também. Tem entre as suas paixões a música — apesar de não ter o conhecimento e o nível de exigência que lhe são peculiares, esta também é uma das minhas paixões. Ele, da mesma forma que eu, ama literatura (outro dia descobri que igualmente gosta de Stanislaw Ponte Preta, o genial Sérgio Porto).

Também vamos falar de histórias em quadrinhos, Batman, blogs, filhos (apesar de ainda não ser pai, Doni já tem alma para tanto, é só ler e reler a Carta ao filho, originariamente publicada em seu blog no dia 12 de maio deste ano, um dos textos mais belos que li na minha vida). Outro assunto com o qual gastaremos um bom tempo será o jornalismo. Somos ambos ávidos pela informação. Somos repórteres, na essência. Já lhe disse isso.

Mas não vamos concordar em tudo. Nem gostamos das mesmas coisas. Ele, por exemplo, torce o nariz para Ana Carolina. Não sabe o que está perdendo. The music of it is not rock'n ' roll, but I taste very . Em compensação, Doni é fã do incomparável Jorge Benjor. Coisa de quem mora num país tropical, abençoado por Deus, mesmo não torcendo para o mesmo time e não dividindo uma “nega” chamada Tereza.

Por falar no sexo feminino, acho que é no romantismo que somos mais parecidos. Doni é romântico e, como tal, sabe dar valor às mulheres. Aliás, quando nos reunirmos pela primeira vez, sei que vamos gastar um bom tempo falando sobre elas. Mesmo assim, jamais conseguiremos entendê-las, Doni. Somos românticos, não mágicos — se bem que, mais do que desvendá-las, queremos amá-las. E, certamente, escreveremos um belo texto.

Por Helton Fraga