Tema da semana: 'Sinais'

sexta-feira, novembro 30, 2007

Lançamento do livro "Meias vermelhas e histórias inteiras"

Meias vermelhas e histórias inteiras Tudo começou no Mimeographo. Encontrar um tema por semana, depois criar uma crônica ou conto que fosse boa o suficiente para estar entre os textos ótimos dos parceiros de blog... Acabei ficando viciado nessa coisa de escrever. Escrevo bem? Sei lá o que é escrever bem. Se escrever for como, sei lá, tocar guitarra, posso dizer que conheço guitarristas fantásticos, que tocam muito bem, mas que fazem músicas péssimas. Gosto de contar umas histórias, e isso basta. A publicação desse livro de certa forma completa um ciclo que começou aqui, então era natural que eu viesse quebrar o silêncio desse blog para divulgar o lançamento.

Um pouco do prefácio:

"Este livro é um compêndio de amores possíveis.
De personagens que, ainda que intuitivamente, estão cientes de que a vida é um jogo nonsense que ganha sentido graças a duas tábuas de salvação: amor e música.
Um bom conto é como uma fotografia. Ao falar de seu ofício, o francês Henri Cartier-Bresson explicou: “fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão”. Não poderia encontrar melhor definição para o que faz Marcos Donizetti nas páginas deste livro. Suas narrativas breves são como fotos capazes de transcender as limitações de uma moldura ao captar os momentos mais significativos da vida no instante mais preciso."
- Alexandre Inagaki

E o vídeo promocional:



Para mais informações (como comprar, preço, data e local de lançamento etc), basta visitar o site oficial do livro. Também tem uma comunidade do orkut.

Para terminar, devo dizer que o Mimeographo não morreu... Apenas vai dormir por mais um tempo...

Por Marcos Donizetti

domingo, dezembro 24, 2006

Aquele abraço!

Os hectógrafos - na verdade, mais do que hecto - tiveram um imenso prazer enquanto estiveram por aqui. Obrigado a todos. Até um dia.
Os Hectógrafos

quarta-feira, outubro 18, 2006

;-)

É um sinal. Eu sei que é. É o melhor de todos os sinais nos últimos tempos. É sinal que devemos ter esperança. É sinal que devemos redobrar nossa confiança. É sinal para segurarmos nossas lágrimas e abrirmos um sorriso. É sinal de que nossas orações têm chegado aos céus. É sinal que tem alguém nos ouvindo. É sinal de que ainda não é hora. É sinal de que ela é forte. É sinal de que poderemos ver um milagre. É sinal que correntes do bem dão resultado. É sinal de que, sobretudo, existe o amor e a amizade. É sinal que ainda existe a fé. É sinal de que ganhamos um alento em momentos de aflição e tristeza. É um sinal, só para nos lembrar, que ela, como jornalista das melhores, não desiste fácil. É um sinal de que em breve ela estará de volta. É um sinal de que, de alguma forma, ela tem sentido como é querida. É um sinal de agradecimento. É um sinal de que nessa luta a nossa força e pensamentos positivos estão fazendo diferença. É um sinal que nossas preces devem continuar. É um sinal de que ainda há muita vida pela frente. É um sinal para comemorar:

— Valéria Galvão pisca os olhos!
Por Jussara Soares

quarta-feira, outubro 11, 2006

Fiquei pra titia

Lá em casa meus irmãos ainda não têm filhos, meus pais ainda não são avós, mas – vejam só – eu, com meus joviais 25 anos, já fiquei pra titia. Devo dizer que há algum tempo. Tudo culpa de uns pirralhos abusados que não têm noção do perigo, se desmancham em carinho e do nada vêm logo esticando os braços pro meu lado pedindo colo. Eles não estão nem aí que não sou irmã da mãe ou do pai deles, que não sou a professora da escola, que posso me sentir uma velha encalhada e vão logo gritando “Ôôô Tiaaaa!”.

Basta ouvir isso e lá vou eu correr atrás dos meus “sobrinhos” filhos de amigos, de primos, de desconhecidos até... Para brincar, para ficar paparicando, para conversar, para assistir desenho ou só para ver, de longe, eles aprontando. É bem verdade que essa gente miúda é de veneta. Tem hora que morre de amores, cai no riso e dá até beijinho. Tem hora que emburra a cara, cai no choro e não me dá nem idéia. E eles estão certíssimos. Fazer a social é coisa pra gente grande.

Se bem que esses meus sobrinhos são pequenos só no tamanho. Outro dia, Andrei, que grita um “ô tia” inconfundível, me revela do alto dos seus cinco anos uma de suas descobertas: “Você sabia que o zero é visivelmente uma bola?”. Já Maria Antônia, minha consultora de moda e beleza de sete anos, faz o seguinte comentário ao ver minha nova escova de dente anatômica: “Essa escova foi muito bem projetada!”. E quando pergunto a Juan, um mineirinho de quatro anos, como está a pizza que ele está comendo, eis a resposta: “Está saborosíssima!”. Peraí! É o quê? Vê se isso é vocabulário para sair com tanta naturalidade da boca pessoinhas que ainda estão muito longe de alcançar um metro e meio. Desconfio até que sejam anões. E superdotados!

E não bastasse esse vigor intelectual, ainda explodem em energia e o tamanho de seus fôlegos é inversamente proporcional a suas compleições físicas. Renan, Giovani, Jordana, João Pedro, Eduardo, Guilherme, Pietra, Carlos Eduardo, Pedro Henrique, Gabriela, Luiz Henrique, Vitória, Cauê, Laurinho, e as gêmeas Bia e Manu estão prontos para qualquer brincadeira, para a próxima bagunça e, principalmente, pra dar uma canseira numa tia velha, que não consegue mais contar a idade nos dedos nem se juntar os das mãos e dos pés.

Mas, tudo bem, para fazê-los felizes e vê-los soltar um riso gostoso a gente dança a música do Tchutchucão, deixa de ver um filmaço para assistir Coragem, o Cão Covarde (que é bem legal!) e coloca orelha de Minie para cantar parabéns. Troca qualquer papo sério com os pais para rolar no chão com eles, desenhar, brincar de Barbie ou de carrinho e jogar bola no quintal. Sai correndo para ver o trem, o avião e o caminhão passar. Segura o riso diante de uma peraltice, implora por um “upa!”, faz chantagens do tipo: “um beijo por uma bala” e pede, pelo amor de Deus, não chora não. Afinal de contas, agora que eu fiquei para titia o jeito é participar!

Por Jussara Soares

segunda-feira, outubro 09, 2006

A Selvagem da Motocicletinha*

O ato de chegar à janela, coisa corriqueira na vida das "tias solteiras" das pequenas cidades (de Minas, pelo menos), às vezes oferece belas surpresas para quem se debruça no parapeito e olha para fora.

Eu, especificamente, olhei para baixo. E lá estava minha pequena vizinha, de uns quatro anos de idade, se muito, brincando com seu velocípede. Cabelos lisinhos com franjinha, num caprichado corte Chanel, camiseta cor-de-rosa e bermudinha jeans. Sentada, no topo da rampa do pátio do edifício, em sua "motoquinha" femininamente rosa-bebê.

A danadinha, com coragem inversamente proporcional ao tamanho, postava-se no topo da rampa, empurrava o "veículo" apoiando os pés no chão e disparava rampa abaixo, gritando. Subia novamente, agora com seu meio de transporte nas costas, e repetia o feito. Pensam que já é esporte radical demais para uma menininha miudinha? Que nada... Chegando ao final da descida, a espevitada ainda cismava de virar bruscamente a motoquinha numa freada digna de motociclistas experientes. Acho que estava treinando para dar cavalos-de-pau quando chegasse à longínqua maioridade.

Um detalhe: como criaturinha que vem ao mundo com charme inato e que, mais do que tudo, sabe do próprio encanto, a menininha gritava para que todos os que estavam no pátio viessem ver seu espetáculo. O nome daquela fofura de pessoa mirim? Não sei. Mas vou tentar descobrir, pois aposto que será famosa um dia.


***

* Publiquei o texto acima originalmente em 25 de setembro de 2003, em um blog que eu costumava ter. Republico aqui porque, mais do que o prazer de escrever sobre crianças, essas criaturas que acho encantadoras, foi grande meu prazer em lembrar o texto. E, assim, foi grande minha vontade de compartilhar com quem quer que leia este post a história da Selvagem da Motocicletinha.

A menininha em questão já está "uma moça". Os anos passam rápido quando olhamos para o tempo a partir do filtro de uma vida infantil. Ela está diferente, com certeza. Mas o charme é o mesmo dos antiqüíssimos três anos atrás. E eu espero que isso não mude nunca. Conheci sua mãe, comprei dela algumas bijuterias... O que psso dizer dela? Gente boa pra caramba!

Ah, a bárbara Selvagem da Motocicletinha chama-se Bárbara. É irmã do pequenino Breno e filha da Andréia. O pai é policial militar. Esqueci seu nome. Ao lado desse esquecimento, estou aqui com o prazer da lembrança daquela época e com o susto de ver a menininha tão maior, tão diferente.

***

P.S.: eu tinha um texto manuscrito sobre o tema "Retrato". Precisava de organização, precisava ser de fato escrito, era preciso sair das idéias e estruturar para valer o escrito. Entretanto, minha idade tão superior à da Bárbara acabou me presenteando com horríveis dores nas costas, seguidas, dias depois, por uma dor forte no pulso. Não sei o que aconteceu, mas foi como um torcicolo na coluna. Do jeito que veio foi embora. Ainda bem. Talvez um dia eu transforme as idéias manuscritas em algo com estrutura. Estava gostoso pensar, escrever, inventar a história do retrato. Vamos ver se um dia fica pronto; e mais: vamos ver se um dia publico em algum lugar.

Por Mônica Ribeiro

sábado, outubro 07, 2006

Auto-retrato

No último dia 1º de outubro, o Brasil teve a oportunidade de mudar de cara e, principalmente, de atitude. Da mesma maneira como ocorreu nas eleições presidenciais de 2002, a população parecia sedenta por mudanças por conta da frustração com os fatos políticos acontecidos desde o fim do ano passado. Nos dias que antecederam a votação, até comentei com alguns amigos sobre a possibilidade de renovação, tanto no congresso, quanto nas Assembléias Legislativas, justamente por esse espírito de indignação que pairava. Doce ilusão.

No início da apuração dos votos, eu estava na sede do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. De cara, tomei um susto: o candidato à reeleição, que estava na luta para ao menos chegar ao segundo turno, na disputa ao governo do Estado, estava dez pontos na frente do principal adversário, que liderou as pesquisas com folga durante, praticamente, toda a campanha. Resultado: o vice desconhecido, que tentava dar continuidade ao governo de oito anos, que, neste pleito, ainda se intitula “Tempo Novo” levou a melhor. E por erros crassos – que não vou comentar agora – do partido que seria vencedor, as eleições em Goiás estão praticamente definidas e o “governo do Tempo Novo” deve permanecer os mesmos dezesseis anos, que foram motivos de crítica por tanto tempo. Detalhe, não se sabe qual das duas opções para o segundo turno pode ser mais danosa.

Regionalismo à parte, em todos os cantos do país, esteve evidente o quão frágil é a consciência dos eleitores em relação à escolha dos candidatos que vão nos representar nesta ditadura da maioria. Infelizmente, as surpresas não ficaram apenas em nível estadual, com uma renovação de apenas 48% dos deputados goianos. Quem tem o mínimo de memória e civismo se sentiu extremamente ofendido ao conhecer o deputado estadual mais votado do País: Paulo Maluf, que deve estar dando gostosas risadas, ainda hoje, com seus mais de 738.000 votos apurados nas urnas paulistas.
E o que dizer do senador eleito por Alagoas? “Após quase 14 anos de sua renúncia à Presidência da República, depois da aprovação de um processo de impeachment, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRTB), 57, volta à cena em Brasília, agora como senador”, informou a Folha Online. É claro que temos uma série de casos revoltantes, como os mensaleiros e sanguessugas que foram reeleitos.
E é com imenso pesar que traçamos esse auto-retrato do Brasil. Um país cujo povo não entende a dimensão de um voto e o entrega por muito pouco: seja por uns litros de gasolina ou por outros favores quaisquer. Só nos resta esperar que ao menos nossos bisnetos possam experimentar a vida em um Brasil com uma democracia consistente e, principalmente, consciente.
Por Aline Tomaz

sexta-feira, outubro 06, 2006

Tempo curto

Maria pegou uma velha fotografia de sua mãe em seu baú já empoeirado pelo tempo. Muitos álbuns e fotografias misturadas e fora de ordem cronológica. Crianças misturadas com imagens de paisagens rosadas danificadas pelo oxigênio. Olhava as fotos como se estivesse revivendo cada instante. O passado é sempre melhor. “Já passou. Não tem mais jeito”, pensava Maria. Lembrou-se dos tempos de escola, das amigas e do primeiro namorado. Dos bailes, do apertado cinema de sua cidade e de seus pais, tão presentes em sua vida.

A fotografia de Dona Ivone mostrava uma senhora bonita e bem maquiada. A tonalidade sépia da imagem denunciava o quanto era antigo. Tinha os olhos da mãe. Olhos sábios e atentos. Olhar honesto e profundo. Maria sentia a determinação de sua mãe só de olhar para o papel. A procura pelo instantâneo tinha um motivo: Maria queria pintar o rosto da mãe em uma tela. Testar seu novo hobby.

Modelo escolhido, tintas, ambiente, tela grande, música instrumental ao fundo e um incenso para acompanhar. Maria começa desenhando os contornos do rosto. Depois os cabelos, os olhos, o nariz e a boca. Por um instante pensa estar fazendo seu auto-retrato. Para e olha o esboço. Não gosta. Apaga tudo e começa novamente. Logo as obrigações do lar a convocam. O filho está com fome e o marido vai chegar do trabalho.

Guarda a tela com um outro não muito diferente esboço e vai cuidar dos afazeres domésticos. Como o presente era para o aniversário de 70 anos de sua mãe em outubro e ainda estava em maio, julgou não ser necessário tanta pressa em terminá-lo.

A vida agitada de dona de casa aliada aos problemas do filho na escola, as contas que sempre chegam todos os meses, os cortes nos gastos familiares fizeram com que Maria se envolvesse demais com problemas rotineiros deixando suas vontades e sonhos em segundo plano. O quadro de Dona Ivone recebia algumas pinceladas de vez em quando. Maria resolveu deixar pra lá.

Vinte anos depois Maria se encontra à beira de seus 60 anos. Incumbida de mostrar fotos antigas para sua nora, ela vai ao seu quartinho da bagunça onde ficam guardados seus arquivos de fotografias. Ao ver a tela inacabada de sua mãe, chora aos prantos. “Como pude ser tão negligente? E agora? Minha mãe nem está mais aqui conosco. Quanto tempo perdido e nem ao menos consegui acabar uma homenagem à minha querida mãe”. Ainda se debulhando em lágrimas pegou seu antigo pincel ,endurecido pelo tempo, e recomeçou seu trabalho que nunca deveria ter sido interrompido.

Maria agora sabe do valor de uma amizade. De uma família. Não só pela tela, mas pelo significado disso tudo. A duração de nossas vidas é determinada pelo nosso passado e nossas atitudes. Cada abraço e cada olhar trocado com nossos filhos, esposas, maridos, irmãos e pais são únicos e eternos. São inesquecíveis. É o que fica.

Por Wallace Feitosa